COMITÊ INTERNACIONAL

Declaração universal pela imprensa



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O objetivo é que dentro de dois meses já exista um trabalho para apresentar no dia 11 de novembro aos 80 chefes de Estado e governo que se reunirão em Paris no Fórum pela Paz

Diante dos constantes ataques à liberdade de imprensa, da proliferação de fake news e do novo contexto criado pelas redes sociais, 25 representantes de 18 países deram início nesta terça-feira a uma comissão para criar uma declaração universal sobre informação e democracia.

Passados 70 anos desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a organização Repórter Sem Fronteiras (RSF) reuniu um comitê presidido pela iraniana Shirin Ebadi, Nobel da Paz em 2003, e também composto outros prêmios Nobel, como o peruano Mario Vargas Llosa (literatura, em 2010), o americano Joseph Stiglitz (economia, em 2001) e o indiano Amartya Sen (economia, em 1998).

Além deles, jornalistas como a americana Ann Marie Lipinski, o britânico Aidan White e o turco Can Dündar e pesquisadores como o americano Francis Fukuyama e a sul-africana Navi Pillay trabalharão para escrever essa declaração.

"Estamos em uma situação crítica e precisamos de ferramentas concretas para nos defendermos", afirmou Ebadi durante a apresentação da comissão, que se reuniu pela primeira vez em Paris.

O objetivo é que dentro de dois meses já exista um trabalho avançado que possa ser apresentado no dia 11 de novembro aos 80 chefes de Estado e governo que se reunirão em Paris no Fórum pela Paz convocado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, por causa do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial.

"Será um bom momento para buscar apoio e começar um processo de mobilização que, pouco a pouco, deve levar o direito internacional a ter os grandes princípios que devem garantir um espaço livre para os cidadãos, sem o qual não há democracia", indicou o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire, que copresidirá a comissão.

Até o momento foram contactados representantes de Coreia do Sul, Gana, Canadá, Alemanha, Noruega, Costa Rica e Tunísia, alguns dos países mais bem avaliados pela RSF em liberdade de imprensa e que serão recebidos por Macron no Palácio do Elíseu nesta tarde.

Deloire projetou um panorama pessimista para a liberdade de imprensa, que, segundo ele, mudou de cenário com a internet. Na visão do secretário-geral da ONG, as democracias estão em retrocesso no mundo e a liberdade de imprensa é uma das primeiras vítimas do auge das ditaduras, motivo pelo qual a declaração deve servir como um novo marco geral.

"Vivemos em uma selva de informação na qual só regem as leis da selva", afirmou Deloire.

Na apresentação, a jornalista filipina Maria Ressa relatou o retrocesso das liberdades em seu país após a eleição do presidente Rodrigo Duterte. Segundo ela, 90% de seus compatriotas se informam através do Facebook.

O economista e advogado americano Yochai Benkler denunciou que nos EUA são os veículos de imprensa tradicionais que propagam as informações falsas, e não as novas tecnologias.

O russo Mikhail Zygar considerou que a imprensa na Rússia tem hoje o mesmo descrédito entre a população local que na época soviética, com a diferença que, antigamente, todos eram conscientes da manipulação.


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