ARTIGO

O sofrer: Schopenhauer, Nietzsche e Pondé



schopenhauer

Arthur Schopenhauer (1788 - 1860)

A dor e o sofrimento interior dos homens os atormenta desde a sua existência e, até hoje, têm resultado em doenças psíquicas graves que muitas vezes os leva a cometer o suicídio. A dor existencial é um tema bem antigo da filosofia, da teologia, da psicanálise e da psicologia. 

Não sou nenhuma estudiosa ou acadêmica em nenhum destes saberes, apenas uma curiosa pela filosofia e psicanálise e sobre o verdadeiro sentido da vida humana.

Gosto de ler e de ouvir palestras de pensadores e especialistas e depois trazer algumas reflexões para aqueles que se interessam pelo assunto. Bora lá!

Quando descobri os livros do alemão Arthur Schopenhauer (1788 - 1860) fiquei atônita com suas conclusões sobre o sofrimento do homem. O filósofo costumava dizer que tudo o que é desagradável e dolorido é ressaltado, já que a espécie humana detecta e valoriza os aborrecimentos muito mais que os prazeres.  

Suas obras basicamente comentam que a dor e o tédio que assombra o homem estão relacionados com a incessante vontade de algo. Uma vontade que leva a dor do querer e logo depois ao tédio de ter realizado. E novamente nos lança à dor quando vêm novas vontades, reiniciando o ciclo.

Em seus manuscritos o filósofo se pergunta: “por que manter a vida desta forma, totalmente sem sentido. Vagamos sonolentos, afogados em pensamentos triviais, inúteis. Somos relógios que deram corda e não sabemos qual o sentido de tudo isso. A grande maioria das histórias de vida são recheadas de sofrimentos inefáveis, tormentos indescritíveis, dores excruciantes. A morte muitas vezes chega como um grande presente, o fim desta maldição chamada vida”, diz trecho tirado do ensaio “Schopenhauer e o Niilismo”.

Outros filósofos como Friedrich Nietzsche (1844-1900) e até mesmo o médico e criador da psicanálise, Sigmund Freud (1856 – 1939) trataram de observar muito da filosofia niilista (doutrina filosófica que indica um pessimismo e ceticismo extremos perante qualquer situação ou realidade possível) de Schopenhauer.

Suas ideias atraíram o filósofo Frederic Nietzsche, que fez um rigoroso estudo de Schopenhauer. Ele chama a filosofia schopenhaueriana de “niilismo passivo” e desenvolve uma psicologia do homem ressentido neste quesito. Nietzsche diz que se o mundo não tem sentido, tanto melhor, só assim o homem forte, potente, pode criar valores. O além-do-homem criado por Nietzsche é aquele que se alimenta do niilismo para criar seus próprios valores. “O que não me mata me torna mais forte”, dizia.

ponde

Luiz Felipe Pondé, filósofo e escritor pernambucano

A extensa discussão a respeito da filosofia do alemão Schopenhauer e de alguns filósofos como Nietzsche nos fazem pensar como a ideia de sofrimento e do sentido da vida ainda perturbam a mente humana até hoje. E nessa discussão eu voltaria ainda mais no tempo histórico da raça humana ao refletir sobre “O Livro de Jó”, um dos livros mais importantes da Sagrada Escritura. Fiz uma reflexão sobre o tema ao assistir a palestra do filósofo e escritor pernambucano, Luiz Felipe Pondé, no programa “Café Filosófico” da TV Cultura.

Conta Pondé que, segundo o Velho Testamento, Jó foi um homem íntegro e muito rico que viveu na antiguidade. Ele passou por um tempo de grande sofrimento e foi acusado de muitos pecados, mas ele não abandonou a Deus. No fim, o próprio Deus defendeu a causa de Jó e o restaurou. Jó vivia em uma terra chamada Uz, no Oriente Médio. Passou por muito sofrimento, perdeu sua riqueza e seus filhos.

Em sua obra “ O Livro de Jó” Pondé conta que o bom cristão sofre ao questionar Deus do por quê de tanto sofrimento se ele fazia tudo certo e procurava sempre ser bom. O filósofo aponta o sinal de ressentimento de Jó perante Deus até que por fim entendeu que ele não era o centro de tudo e, portanto, não era nada para fazer cobranças ao Criador.

Pondé diz ainda que o livro de Jó é um dos mais importantes do Velho Testamento porque nos ensina a combater a idolatria e reconhece que tudo que existe e que acontece na vida de cada um vem de Deus. “A felicidade e o fim do sofrimento acontece quando se percebe que Deus está nos detalhes e que você não é tão necessário como pensava ser”, conclui.

“Assim se tudo dá certo na sua vida foi porque Deus permitiu a graça a você. Então é preciso agradecer sempre”, diz o filósofo em uma palestra. E o que me fez lembrar de Schopenhauer foi uma frase de Pondé que diz: “Você e nada têm uma semelhança”. Quando deixamos a condição de autossuficientes e de ressentidos e passamos a ser agradecidos ao Poder Superior que nos permite viver estaremos fazendo a transformação espiritual. O sofrimento vai acabar? Eu acho que não, mas pode diminuir muito quando a gente achar que é só mais um entre o todo. Simples assim.

josana

*Josana Salles é jornalista em Cuiabá

 


Voltar  

Agenda Cultural

Veja Mais

Newsletter

Preencha o formulário abaixo para receber nossa newsletter:

  • Nome:

  • Email:

  • assinar

  • cancelar


Copyright © 2012 Tyrannus Melancholicus - Todos os direitos reservadosTrinix Internet