PENSAMENTO FORMATIVO

"Conversa com a dra. Ana Tsuru"



ana tsuru

"A intenção do nosso trabalho, trazer a criança para o exercício dialógico, de modo que ela possa elaborar os sentidos sobre a realidade que vivemos", explica Ana Tsuru

Com o objetivo de questionar a forma como as crianças estão sendo orientadas pelos adultos em relação às informações sobre a pandemia e os seus impactos no cotidiano, o Grupo de Pesquisa em Psicologia da Infância (GPPIN) da UFMT promove o projeto "Conversa com a Dra Ana Tsuru". A iniciativa se caracteriza por constituir um ambiente de pensamento formativo para crianças e adultos, cujo esforço maior é a elaboração de estratégias de enfrentamento psicológico em situações de crise.

O GPPIN tem observado poucas iniciativas orientadas para a informação e potencialização da interpretação da realidade pelas crianças. A partir da análise de conteúdos compartilhados nas mídias sociais que envolvem o público infantil, o Grupo constatou que muitas pessoas acreditam que as crianças vivem uma realidade antagônica ao bem viver dos adultos e, por isso, não são incluídas nas discussões sobre a pandemia e suas consequências. Tal fato pode resultar em desordem no comportamento infantil, como, por exemplo, choro frequente, ansiedade na alimentação e agitação, que revelam o impacto da experiência social promovido pela pandemia.

“Quando nos deparamos com o estranhamento da realidade de forma tão radical como essa provocada pela pandemia somos mobilizados pelo esforço de tornar o estranho em algo familiar. Esse processo exige um esforço sociocognitivo e emocional. Precisamos nos orientar por informações, crenças, valores e atitudes. O processo de significação se dá pela via da conversação, da comunicação midiática, dentre outras modalidades. Adultos e crianças vivenciam o mesmo processo e possuem as mesmas necessidades”, explica a Coordenadora do GPPIN, Daniela Barros da Silva Freire Andrade.

O perfil da Dra. Ana Tsuru nas mídias sociais aborda sobre a responsabilidade dos adultos com as crianças. Os vídeos e interações nas mídias sociais privilegiam as informações e atitudes relacionadas ao enfrentamento psicológico em situações de crise, convidando o público ao exercício reflexivo e a verbalização das emoções. Os resultados podem ser conferidos no link https://www.instagram.com/dra.anatsuru/ .

De acordo com a docente, as crianças estão em processo de formação de conceitos, e na falta dos mesmos interpretam o mundo a partir da imaginação. Por este motivo, é preciso apresentar informações e conhecimento ao público infantil, visando estabelecer um diálogo sobre a realidade. Ela explica que, historicamente as sociedades acreditam que as crianças estão desconectadas da realidade que constitui o mundo adulto, portanto, são desprovidas da capacidade de compreender logicamente o contexto. Diante deste cenário, surge a importância de introduzi-los por meio do diálogo aos conceitos, o que pode auxiliar na melhora da qualidade de vida durante este período.

“Ao observar os primeiros memes sobre a quarentena o nosso grupo de pesquisa notou o rápido compartilhamento de mensagens retratando a criança como um incômodo para o adulto. Colecionamos imagens lamentáveis de memes retratando crianças engaioladas ou enfaixadas como múmias enquanto os pais estavam em Home Office ou mesmo de distraindo. Só recentemente começaram a aparecer postagens trazendo falas de crianças em um esforço de compreensão sobre a realidade”, destaca.

A docente afirma que a melhor maneira de conscientizar, orientar e informar as crianças sobre o atual momento é por meio da ludicidade. O diálogo com o público infantil exige uma atitude de abertura e escuta sensível, sendo necessário narrar e encorajar a produção de narrativas.

“Esta é a intenção do nosso trabalho, trazer a criança para o exercício dialógico, de modo que ela possa elaborar os sentidos sobre a realidade que vivemos”, finaliza. Até o momento já foram postadas 26 publicações no Instagram e 15 vídeos no YouTube, que apresentam, por exemplo, a noção da utilização da máscara, os motivos pelos quais as crianças não podem ir à escola, estratégias de enfretamento psicológico, autocuidados, entre outros temas relacionados ao atual contexto. (*com assessoria)

 


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