LAVA JATO

Artigo de O Estadão: associação na mosca



Paulo Francis (1930-1997) foi um jornalista, crítico de teatro e escritor brasileiro

Artigo publicado na edição de sábado do jornal O Estado de São Paulo revirou minha memória. E também o raciocínio. Reforçou, ainda, a minha intenção de abrir o Tyrannus para as palavras que extrapolam os temas culturais, científicos e ambientais, que promovem a linha editorial deste site. Ora, pois, como ficar alheio a assuntos que apetitosos para a pauta nossa de cada dia?

E a melhor forma que encontro pra colocar na roda esses temas, de urgência urgentíssima, foi reativar a editoria “Outras Palavras” que tava que é só teia de aranha. Tocar, ou melhor, socar o dedo, nas feridas que vão se tornar cicatrizes risonhas e corrosivas da memória social coletiva do Brasil, há de ser uma postura produtiva para quem escreve com a intenção/sonho de mudar o mundo.

Assim sendo, cá estamos revigorando esse anseio jornalístico e convido a todos os leitores, especialmente, àqueles que se habilitam a escrevinhar, a penetrar em searas e celeumas, quando julgarem que isto seja necessário.

Voltemos ao artigo de O Estadão (http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,suica-connection,1596361). Assinado por Sérgio Augusto, comenta a operação “lava jato”, que anda balançando os meios empresariais e políticos do Brasil, sangrando as possibilidades de lisura da Petrobras. Rapinagens e falcatruas vão se evidenciando, mesmo que através daquilo que se chama de “delação premiada”.

O que mais me fez vibrar nas palavras do articulista Sérgio Augusto, foi a sua feliz associação com a operação da PF (Polícia Federal), curiosamente, a uma outra operação, também PF (Paulo Francis). Um bravo e desbocado jornalista brasileiro, falecido em 1997, que desafiou o poder financeiro da Petrobras, e seus dirigentes de outros tempos, ainda na era do tucanato, desaguando denúncias contra a corrupção daquela empresa.

Dizem que Paulo Francis atingiu ao óbito devido à terrível pressão que sofria, devido a um processo, lavrado no foro de Nova York, cidade na qual o jornalista participava do programa Manhattan Connection. Há quase 20 anos, Francis, sem provas documentais, afirmava que todos os diretores da Petrobras, depositavam dinheiro em bancos da Suíça.

E Francis, no Manhattan referiu-se a um amigo advogado que, durante almoço com um banqueiro suíço, ouviu deste, a afirmação de que os correntistas brasileiros eram melhores do que os árabes, já que estes, depositavam um ou dois milhões de dólares e, poucos dias após, movimentavam esse bereré; enquanto os brasileiros depositavam 50 milhões de dólares e ali deixavam seu dinheirinho.

Pois é. E isso rendeu a Francis um processo de 100 milhões de dólares, uma razoável quantia, que foi minando a saúde do jornalista. Convenhamos que um tutu desses, acaba com a qualidade de vida de qualquer um.

Então, o que se tem ouvido desde então, é que a Petrobras matou Francis. Serve como diagnóstico precipitado, porém, melhor e mais correto, foi o que escreveu a autoridade jornalística brasileira, Elio Gaspari, logo após a morte de Francis: “Dizer que o processo do doutor Rennó (dirigente da Petrobras que capitaneou o processo) o matou seria uma injustiça piegas, verdadeira estupidez. O que aconteceu foi outra coisa. O doutor Rennó conseguiu tomar uma carona no último capítulo da biografia de Paulo Francis. E, se algum dia Rennó tiver biografia, terá Paulo Francis nela. É difícil que consiga fazer coisa melhor, sobretudo à custa do dinheiro da viúva”.

E reforço o convite para que leiam o artigo “Suíça Connection”. O link tá lá em cima, no quarto parágrafo deste texto.


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