DÚVIDAS CIENTÍFICAS

Há riscos de sanções comerciais



"É um tiro no pé plantar transgênicos quando as principais certificadoras internacionais são contra a certificação de florestas transgênicas", disse Kageyama

O professor Paulo Kageyama, da Universidade de São Paulo (USP), considerou um erro a liberação comercial do eucalipto transgênico no Brasil, decidida na semana passada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, por 18 votos a 3. Um dos integrantes da CTNBio, Kageyama foi um dos votos vencidos.

Segundo o professor, ainda existem muitas dúvidas científicas sobre os impactos do plantio do eucalipto transgênico e do prejuízo, principalmente para os pequenos produtores rurais. Além disso, os produtos obtidos a partir dessa planta poderão sofrer sanções no comércio nacional e internacional, acrescentou Kageyama.

De acordo com a FuturaGene Brasil Tecnologia Ltda, empresa de biotecnologia da Suzano Papel e Celulose, com a decisão, o Brasil torna-se o primeiro país a liberar a comercialização do eucalipto transgênico. Segundo a FuturaGene, o eucalipto modificado tem 20% mais produtividade e poderá ser usado para produção de madeira e papel, entre outros itens.

Kageyama explicou que o aumento da produtividade ocorre às custas da aceleração do processo de crescimento e amadurecimento de uma árvore de sete anos para cinco anos. Nesse período é que a planta absorve mais água, disse ele. Estima-se que o consumo seja ainda maior com o eucalipto transgênico, o que pode causar danos ao meio ambiente.

Além disso, o pólen dos eucaliptos geneticamente modificados pode ser transportado por quilômetros por insetos e contaminar o mel orgânico de cerca de 500 mil pequenos produtores, que serão prejudicados na hora da certificação de seus produtos.

De acordo com dados divulgados pelo Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), o Brasil é o maior produtor de mel orgânico – só no ano passado, foram 16 mil toneladas de mel de eucalipto.

O problema da certificação poderá chegar também ao mercado externo. "É um tiro no pé plantar transgênicos quando as principais certificadoras internacionais são contra a certificação de florestas transgênicas", disse Kageyama.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), o Brasil, em 2010, posicionou-se como o décimo produtor mundial de papel e, em 2012, produziu 10,3 milhões de toneladas. Nos últimos dez anos, o país aumentou a produção em 27%, com crescimento médio de 2,7% ao ano.

Kageyama manifestou preocupação também com o precedente aberto com a decisão da CNTBio. De acordo com o professor, mais dois processos pedindo autorização para comercializar o eucalipto transgênico tramitam no CNTBio. A liberação para a FuturaGene pode criar precedentes, o que ele considera preocupante.

A coordenação-geral da CTNBio informou, no entanto, que até o momento somente foi peticionada, na comissão, a solitição da FuturaGene.

Para a FuturaGene, a liberação é um dos marcos mais significativos para a indústria florestal. "A aprovação marca também o início de uma nova fase para o manejo florestal sustentável, com o Brasil ocupando a posição de primeiro país a completar o ciclo de desenvolvimento dessa tecnologia, que possibilitará produzir mais com menos recursos", afirmou a empresa, por meio de nota. (texto de Mariana Tokarnia)

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