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Nossa cashmere supera a de outros países



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Pesquisadora da UFRRJ coleta cashmere em cabra brasileira

A cashmere produzida com pelo de cabras brasileiras é a mais fina e de melhor qualidade do mundo. A descoberta é resultado de pesquisa da doutoranda do Instituto de Zootecnia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Lia Souza Coelho. “Não tem nada mais fino comparado com a nossa [cashmere], das cabras nascidas no Brasil.”

De acordo com a pesquisadora, especialista em microscopia eletrônica, a qualidade da cashmere nacional supera a de tradicionais regiões produtoras como China, Nepal, Mongólia, Afeganistão, Himalaia e Irã. O motivo é a espessura da fibra, que tem apenas 8,46 micrômetros, em média, enquanto a do Nepal, que era a mais fina até agora, tem 12 micrômetros. Um micrômetro equivale a um milionésimo de metro. Além disso, segundo Lia, a cashmere de cabras brasileiras tem fator de conforto de 100%, acima do máximo observado até agora, entre 96% e 98%.

Por causa dessas características, a fibra poderá ser vendida por cinco vezes o valor de outras. No entanto, até agora a cashmere de cabras brasileiras não chegou ao mercado e a pesquisa está voltada à elaboração de um tecido misto da fibra especial com algodão.

Para que a fibra possa ser comercializada, a pesquisadora disse ser necessário divulgar a descoberta entre os produtores de caprinos, para que eles conheçam o valor comercial do produto, até agora descartado. O material com que Lia trabalha é recolhido na Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais.

A melhor raça produtora de fibra de cashmere é a Boer, da caprinocultura de corte. “Todas têm a média muito boa, mas a cabra da raça Boer tem uma produção de cashmere mais de 10 vezes superior que a de outras raças”, explicou. Em seguida, vêm as raças leiteiras Alpina e Saanen. Cada animal pode chegar a produzir um quilo de fibra por ano, o que pode significar para o criador renda de R$ 3,5 mil por animal, contra R$ 150, em média, por animal vendido para venda de carne.

A cashmere nacional já tem 14 depósitos de patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). No próximo dia 16, Lia embarca para Portugal para apresentar os resultados da pesquisa na Conferência Internacional de Fibras Naturais.

A pesquisadora tem apoio da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/Cetiqt) para divulgar o estudo. “A ideia é mostrar para toda a cadeia produtiva que tem um potencial novo”. (*da Agência Brasil)


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