CRÔNICA

Onde fomos parar?



cueto

Resumindo está tudo dominado e dividido. Não tem pra onde correr. Tudo uma zona. Federal, estadual e municipal

Ela chegou, passou, e veio outra frente fria para desfilar o guarda roupa de inverno pelas ruas brasileiras das cidades das regiões sul, sudeste e centro-oeste, pelo menos. Começar a crônica falando do tempo pode ser pura enrolação em busca da linha da pipa do pensamento que anda vagando por aí. Nada de novo, nem o excesso de argumentos convincentes para garantir o desenrolar um texto de duas laudas para cumprir o compromisso semanal.

Distritão, aumento do Imposto de Renda, mais de 3 bi para Gilmar Mendes comandar a pantomina eleitoral. Meireles, Temer, agendas noturnas, sessões soturnas nas Comissões da Câmara Federal. Buraco negro.

Pezão honra o apelido ao aplicar seu mais certeiro pontapé na falência carioca. Abre licitação para contratar horas de voo particulares. Saúde, educação, segurança, salários que se danem. Se é para ir ao Spa, que seja com pompa e circunstância. Não dá é para deixar de lado a liturgia do cargo falido.

“Reclamando de que?”, indaga o ex vice-governador e secretário de obras do megalô, corrompido e atual presidiário Sérgio Cabral, o que mandava o cachorrinho de helicóptero para Mangaratiba.

Sérgio é aquele que, no pelotão de ouro da disputa pelos títulos de recordista de ações criminais e tempo de cadeia entre a elite política brasileira, está ali, ali nas paradas de sucesso. Cabeça a cabeça com Geraldo Riva, até então líder incontestável entre os políticos denunciados. Opa! Essa informação tem que ser checada para confirmar se não há nenhum outro competidor correndo por fora...

Onde fomos parar? A pergunta que não quer calar não deve ser pronunciada! Ainda é muito cedo. Ninguém sabe quando vamos parar, o que dirá onde. Essa é a questão que habita entre o céu e a terra. Daquelas que somente supõe nossa vã filosofia. Ah, bardo inglês, o que não farias com nossas peripécias cotidianas e os malabarismos da nossa corte irreal...

Não há limite para a imaginação enquanto o mundo faz de Despacito um clip de 3 bilhões de acessos. É verão no hemisfério norte, hora de diversão e alegria. Mesmo com a chegada de levas de refugiados em frágeis embarcações nas praias paradisíacas da costa espanhola sob os olhares incrédulos dos turistas da temporada. Faz parte do pacote ou foi no improviso?

Em terras cariocas o contingente da guarda-municipal é submetido a um questionário sobre suas preferências religiosas. Com campos para católicos, evangélicos, espíritas e “outro”. Com três pontinhos para explicar que outro é esse.  Também querem saber se os guardas são praticantes ou não. Com nome e matrícula no formulário, que é para não ter direito a anonimato.Deu ruim. Claro que a “pesquisa” vazou e foi acrescentada ao incrível conjunto da obra do bispo prefeito.

A balança não ficou totalmente desequilibrada pela simples razão de que seu antecessor, o nervosinho Eduardo Paes, também está sendo caneteado por liberar um pagamentozinho básico de compensação ambiental para a empresa que construiu o campo de jogos de golfe das Olímpiadas que esse mês fez um ano. Muita água ainda vai rolar debaixo dessa e outras pontes peemedebistas.

Pulando de saco para rato (sem sair da mesma ideologia partidária) e procurando um modus operandi em comum, o que foi a delação de Silval Barbosa, ex-governador peemedebista de Mato Grosso? A torcida aguarda os próximos lances da delação que o ministro Luís Fux, do Supremo, já classificou de “monstruosidade”. Parece que com direito a vídeos comprovando as tenebrosas transações que ocorreram entre a ida do BRT que deveria ter virado VLT, cujos vagões nunca chegaram aos seus respectivos trilhos.

Resta saber o que fazer quando a nega maluca, aquela do samba, chega na sinuca e anuncia: “toma que o filho é teu”. Corre em Mato Grosso que vai ter plebiscito pro povo resolver o que o poder público não conseguiu: VLT ou BRT?

Resumindo está tudo dominado e dividido. Não tem pra onde correr. Tudo uma zona. Federal, estadual e municipal. Ninguém escapa. Nem você!


*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Sua produção pode ser conferida em https://delcueto.wordpress.com/


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