POESIA

Célia Musilli

Dissonante

 

anda tudo tão igual como um saco de laranjas
o uniforme das enfermeiras
a caixa de ovos
o maço de cigarros
os guardas de trânsito
os pensamentos monótonos
os círculos de fumaça
os quiosques de sorvete
os homens que param para ver mulheres
fingindo que perderam documentos
e todo mundo sabe que é mancada

por isso abandonei os estojos
as simetrias
os aros das bicicletas
as cartas de demissão
os contratos
os baralhos e as dentaduras
os elogios e as advertências
as contas de farmácia
fui atrás de um poema para explodir rebanhos


quero desinventar a letra
matar o rococó
o barroco dos sentidos
volto quando desintegrar a língua

 

*Reproduzido de http://www.candido.bpp.pr.gov.br

 

Célia Musilli, poeta brasileira


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