POESIA

Ismar Tirelli Neto

 

O Pulôver

Este é meu pulôver favorito
sem um retrato
do meu pulôver favorito.
Roçam-se os puídos no trem,
caminho do trem,
parado no cabideiro.

Parado no cabideiro
(ponto
de onde não se pode mais recuar
sem resvalar-se pela metafísica)
ele não faz
vagão,
rampas de concreto
do outono para o inverno,
nada.

 

Parado no cabideiro,
o pulôver não é senão
uma trama, uma entre tantas.

 

Neste pormenor, lembra um pouco
uma valise prateada
que me pediram certa vez para olhar.

 

Sob os pés de outra pessoa,
já não sei que cor teria.

 

Desnecessário dizer.
Desnecessário dizer.

 

Ismar Tirelli Neto, poeta brasileiro

 


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