POESIA

Nikos Engonópoulos

Canção matinal*

 

perguntei
certa vez por que
razão
a trágica
e recatada virgem
chamada Pulquéria
na véspera do
seu casamento
lavou cuidadosamente todo
o chão da casa
e no dia seguinte
morreu?

 

uma vez
tudo
limpo e pronto
por que não comprazer-se
ela também
nas longas rendas brancas
nos brancos refolhos intrincados
e nas grandes
asas
polícromas
de núpcias?

 

por que
depôs tão silente
sobre as
tábuas do chão
a grande borboleta amarela
e as flores de papel
que estavam dentro
da sua cabeça?
o embalsamado
pássaro
que estava dentro da gaiola
do seu tórax?

 

por quê


porque
-disse talvez seu pai-

 

porque
é preciso que tenha
o soldado o seu cigarro
a criança
o seu berço
e o poeta
os
seus
cogumelos

 

porque é preciso
que tenha
o soldado a sua
insídia
a criança
o seu túmulo
o poeta a
sua marca

 

porque é preciso
que tenha
o soldado
o seu machado
a criança o seu
olhar
o poeta
a
sua plaina

 

*Reproduzido de https://lerfamu.wordpress.com, tradução de José Paulo Paes

 

Nikos Engonópoulos (1907-1985), poeta da Grécia


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