POESIA

Charles Cros

Banalidade*

 

Um mar de dinheiro nos cobre tudo
Com sua corrosiva maresia.
Até o fim se espera herdar, sortudo,
O legado de um tio ou de uma tia.

Nada vem. Nosso cérebro, contudo,
Nos fervilha a Ideia, em banho-maria.
E morreremos. Sobram os polpudos
Financistas e sua economia.

Premido ao vil metal que nos malfada
E a que toda esperança em vão se inflama,
Martela só meu coração pancada.

Mas, os reis da indiferença, o ouro, o cobre,
Fundidos, depois frios, ainda cobrem
O lírio mortuário e a verde grama.

 

*Reproduzido de http://www.revistatropico.com.br , tradução de José Machaddo Sobrinho

Charles Cros (1842-1888), poeta da França


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