POESIA

Tomas Venclova

A Marina da Nova Inglaterra*

 

Não o mar, e sim brumas ardentes, lajes de concreto
e trilhos dejetados, trespassados pelo carmim fuliginoso do entardecer
que volta e meia rasga o céu. Envolto em
algas fétidas, o quebra-mar se projeta – um refúgio para gaivotas.
Onde a areia e o estreito convergem, um vulto aguarda o carmesim
desbotar ao longe da desordem repleta de mastros
e retornar a casa, chegado o momento. Mas onde é a casa?
Aqui, ou no litoral distante? Nas montanhas, onde avalanches
despojaram as encostas? Sob pinheiros de estradinhas rurais,
onde se veem profundezas de antigos porões? No corpo que envelhece
e se recusa a capitular? Ou quiçá na incerteza
em que viveste? Na certeza de que desaparecerás? Neste
     lugar envenenado por ferrugem –
ou mesmo no olhar que ainda pode profetizar
a simetria, harmonia e medida que consiga encontrar?

 

*Reproduzido de http://revistamododeusar.blogspot.com.br , tradução de Flávio Britto

Tomas Venclova, poeta da Lituânia


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