POESIA

Chairil Anwar

Eu*


Se chegar a minha hora,
Não quero que ninguém fique triste,
Nem que saiba tampouco.

Não vale a pena lamentar.

Sou um animal selvagem,
Fora do bando.

Embora a bala me tenha perfurado a pele,
Permaneço enraivecido para atacar de novo.

O ferimento, o veneno, me obriga a fugir,
Fugir...
Até que desapareça tão doloroso acontecimento.

E não mais me preocuparei,
Quero viver mil anos mais.

 

*Reproduzido de http://poesiacontraaguerra.blogspot.com.br , do livro "Babel de poemas: uma antologia multilíngüe" (L&PM)

 

Chairil Anwar (1922-1949), poeta da Indonésia


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