POESIA

Pedro Salinas

Não te vejo*

 

Não te vejo. Bem sei
que estás aqui, atrás
de uma frágil parede 
de ladrilhos e cal, bem ao alcance 
da minha voz, se chamasse.
Mas não chamarei.
Chamarei amanhã, 
quando, ao não te ver mais 
imagine que continuas
aqui perto, ao meu lado,
e que basta hoje a voz 
que ontem eu não quis dar. 
Amanhã... quando estiveres
lá atrás de uma
frágil parede de ventos,
de céus e de anos.


*Reproduzido de http://antoniocicero.blogspot.com.br

 

Pedro Salinas (1891-1951), poeta da Espanha


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