POESIA

Janete Manacá

Antigo lar*

           À vovó paterna Florinda Maria de Jesus, com amor

 

Jorram das minhas artérias
Águas doces e salgadas
Em harmonia com o tempo


Vou tecendo novos caminhos
Com fios de esperança em movimento
E a alma a repousar em silêncio


Quando a saudade derrubar meu pranto
Volto à roda para bordar um manto
Expulsar desencantos e me purificar


E quando meu corpo não mais se sustentar
Com os pés sangrando de tanto bailar
Libertem minhas asas para eu poder voar


Mas se um dia a escuridão chegar
No útero de Gaia quero repousar
E renascer, enfim, nas águas do antigo lar

 

*Poema reproduzido do livro "Deusas Aladas"


Janete Manacá, poeta brasileira


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