POESIA

Luis Cernuda

Não dizia palavras,
Aproximava apenas um corpo interrogante,
Porque ignorava que o desejo é uma pergunta
Cuja resposta não existe,
Uma folha cujo ramo não existe,
Um mundo cujo céu não existe.
Entre os ossos a angústia abre caminho,
Ergue-se pelas veias
Até abrir na pele
Jorros de sonho
Feitos carne interrogando as nuvens.
Um contacto ao passar,
Um fugidio olhar no meio das sombras,
Bastam para que o corpo se abra em dois,
Ávido de receber em si mesmo
Outro corpo que sonhe;
Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
Iguais em figura, iguais em amor, iguais em
desejo.
Embora seja só uma esperança,
Porque o desejo é uma pergunta cuja resposta
ninguém sabe.

 

Reproduzido de http://cronicasderobertolima.blogspot.com.br

Luis Cernuda (1902-1963), poeta da Espanha


Voltar  

Confira também nesta seção:
13.08.18 18h00 » António Osório
10.08.18 18h00 » Alécio Cunha
08.08.18 18h00 » Alberto da Cunha Melo
06.08.18 18h00 » Luís Avelima
04.08.18 18h00 » Alfredo Rossetti
02.08.18 18h40 » Néia Gesualdi
31.07.18 18h00 » Libério Neves
29.07.18 18h00 » Gabriela Clara Pignataro
27.07.18 18h00 » Konstantin Balmont
25.07.18 18h00 » Paulo Sabladovsk
23.07.18 18h00 » Ángel González
21.07.18 18h27 » Alexandre França
19.07.18 18h00 » Jules Laforgue
17.07.18 18h00 » Armando da Silva Carvalho
15.07.18 18h15 » Lélia Rita de Figueiredo Ribeiro
13.07.18 17h51 » Patrícia Lavelle
11.07.18 18h00 » Kori Bolivia
09.07.18 18h00 » Fernando Assis Pacheco
07.07.18 18h00 » Nelson Maca
05.07.18 18h00 » Carlos Machado

Agenda Cultural

Veja Mais

Newsletter

Preencha o formulário abaixo para receber nossa newsletter:

  • Nome:

  • Email:

  • assinar

  • cancelar


Copyright © 2012 Tyrannus Melancholicus - Todos os direitos reservadosTrinix Internet