POESIA

Ángel González

Aniversários*

 

Eu observo: como vou me tornando
incerto, confuso,
disolvendo-me no ar
cotidiano, grosseiros
retalhos de mim, desleixado
e maltrapilho.
Eu compreendo: vivi
um ano mais e isso é muito duro.
O coração pulsa todos os dias
quase cem vezes por minuto!

Para viver um ano é necessário
morrer-se muitas vezes.

 

*Reproduzido de http://jeliasneto.blogspot.com, tradução de Jorge Elias Neto

 

Ángel González (1925-2008), poeta da Espanha


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