POESIA

António Osório

 

Peso do Mundo*

 

A poesia não é, nunca foi 
uma enumeração ou composto 
de exuberância, bondade, 
altitude, nem arado 
ou dádiva sobre chão 
prenhe de mortos. 

 

Nem o arrependimento 
de Deus por ter criado o homem 
com o rosto da sua memória, 
ao lado dos seus vermes. 

 

Tão-pouco fôlego dos que amam 
abrindo a porta límpida 
do corpo e chovendo sobre a terra, 
ou carregam como tartarugas 
o peso do mundo. 

 

Nem reverência por um tigre, 
pela leveza maligna de todas as patas, 
pela sonolência junto à estirpe 
aprisionada também 
na dureza de ser tigre. 

 

É o milagre de uma arma 
total, de uma só palavra 
reduzindo o átomo à completa inocência. 

 

*Poema enviado por e-mail ao tyrannus

 

António Osório, poeta de Portugal


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