POESIA

Jorge Medauar

O gato*

 

Mais que acesa, a vigilância
Dos olhos se abre na noite.
Há sofrer de um medo errático
Nesse andar pelos telhados.

 

Contra quem, punhal gritado,
Fere o silêncio noturno ?
Vejo-te todo eriçado
Em frente aos dentes de um cão.

 

Agora a manhã dealba
Por sobre roxas vigílias
Sangrando o pardo de claro.

 

Reina paz no amanhecer.
Vede-o, negro, em muro branco,
Levando a noite no pelo.

 

*Reproduzido de http://www.antoniomiranda.com.br

 

Jorge Medauar (1918-2003), poeta brasileiro


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