POESIA

Eduardo Lacerda

Fiel

Foi a curiosidade,
que o matou, não
o amor.

Eu.

(E ele sobe
no telhado,

o meu gato)

O meu gato
preenche todos os espaços,
baús, vazios,

caixas e pacotes
de presentes

e ausências.

Todas as fossas,
fundos, planos
e passados.

Ele fareja, mas
ignora.

Ele não me espera,
do lado de
fora.

É só um animal.
que não faz
nenhuma
festa.

E se engasga
com seu
bolo

de arestas.

 

*Reproduzido de http://www.mallarmargens.com

 

Eduardo Lacerda, poeta brasileiro


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