POESIA

António Ramos Rosa

Não posso adiar o amor*

 

Não posso adiar o amor para outro século 
não posso 
ainda que o grito sufoque na garganta 
ainda que o ódio estale e crepite e arda 
sob as montanhas cinzentas 
e montanhas cinzentas 

 

Não posso adiar este braço 
que é uma arma de dois gumes amor e ódio 

 

Não posso adiar 
ainda que a noite pese séculos sobre as costas 
e a aurora indecisa demore 
não posso adiar para outro século a minha vida 
nem o meu amor 
nem o meu grito de libertação 

 

Não posso adiar o coração.

 

António Ramos Rosa (1924-2013), poeta de Portugal

 

*Reproduzido de https://www.escritas.org

 


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