POESIA

Javier Ávila

Vidros

 

Tornou-se cacos a garrafa.
Voam derramados
deslocados como estrelas fugazes,
trapezistas amorfos em piruetas em seu ref´gio
nas pregas do tapete.

Quatorze vidros ocultos,
aguardam pacientemente
esse instante descalço
e preciso para enlaçar a desnudez,
fazer estragos na planta
com sua afiada geometria,
fundir águas forneadas com rios férreos,
encapsular-se na pele.

Dilaceram e perduram alojados
muito depois de sua partida.
E ficam outros opalinos,
serenos, sinuosos, invisíveis,
ansiosos para assediar as veias,
insuspeitamente
para injetar suas histórias
duras, frágeis e rotas.

Salpicadas praias plúmbeas que são prismas,
lupas, janelas, espelhos,
e permanecem 
pois agora têm coração e válvulas,
consciência e medo.
Conhecem truques, percebem o melhor,
o falso e o perfeito.
Sua fé tardia mas presente entende a marcha,
o luto, a oração, a luz, e isto:
que dói mais sua ausência
que sua agulhada.  

 

*Poema reproduzido de http://www.antoniomiranda.com.br, com tradução de Antônio Miranda

 

Javier Ávila, poeta de Porto Rico


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