POESIA

Albert Ehrenstein

O Poeta e a Guerra*

 

Eu cantei os cânticos da vingança em vermelho rasgada,
E cantei o silêncio do lago de baías arborizadas;
Mas ninguém se juntou a mim,
Íngreme, solitário
Como a cigarra se canta,
Cantei o meu canto para mim.
Os meus passos vão-se desvanecendo, extenuados
Na areia do meu esforço.
Os olhos caem-me de fadiga,
Estou cansado dos desconsolados vaus,
De atravessar rios, mulheres e ruas.
À beira do abismo, não penso
No escudo e na lança.
Assoprado pelas bétulas,
Ensombrado pelo vento,
Adormeço ao som da harpa
De outros,
Para quem ela escorre alegremente.
Não me mexo,
Porque todos os pensamentos e acções
Turvam a pureza do mundo.


*Reproduzido de https://www.estudioraposa.com , tradução de João Barrento

Albert Ehrenstein (1886-1950), poeta nascido na Áustria, que viveu na Alemanha


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