POESIA

Juana de Ibarbourou

A hora*

Toma-me agora que ainda é cedo
e levo dálias novas pela mão...

Toma-me agora que ainda está sombria
a minha cabeleira ondulante e vadia.

Agora que ainda tenho uma carne olorosa,
os olhos de cristal e a pele de uma rosa.

Agora que me calça o meu pé de roseira
a sandália vivaz da primavera.

Agora que em meu lábio o riso soa
como um sino que bate e cuja nota voa.

Depois... Ah! eu, sei
que nada mais do que hoje tenho então terei!

Hoje, mais tarde não. Vem antes que anoiteça
e que murche com o tempo esta corola fresca.

Hoje, e não amanhã. Amor, não percebeste
que a parasita azul acabará cipreste?

 

*Reproduzido de http://www.antoniomiranda.com.br, do livro "Joias da Poesia Hispano Americana" (Eitora Bertrand)

 

Juana de Ibarbourou (1892-1979), poeta do Uruguai


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