POESIA

Carlos Correia Santos

Nu de vida

Veste meu nu um destino,
têcito de fios ilusão.

É porque desde menino
tenho no frio da pele emoção.
Já morri de sabiás,
sem pena, nu de colibri,
despido de não ser ave, mas
suave demais, trajando sofri.

Tanto pelo exposto,
posto pelo não ser.
Sem um pano pra cobrir o gosto,
nu de chover.

Pois peguei o destino pra veste
e me guardei em têxtil colorida.
Existir: um traje cor celeste.
Mas eu? Sempre nu de vida.

 

Reproduzido de http://www.candido.bpp.pr.gov.br

 

Carlos Correia Santos, poeta brasileiro


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