POESIA

Ramon Carlos

hiato*

um charme
em quarto de vidro
espuma verde
que circunda os jeans
do xará dos diabos, no joelho
incapaz variedade de prever
o xamã no ponto clínico
sirene na colmeia dos abutres
louvo-te hiato
louvo pela capacidade que me tens
de purificar minha demência
de persuadir minha clemência
de extorquir meu saldo de observações
louvo pela simples castidade que propõe
impõe, em baldes de mármore
suave como o título lhe traduz
o silêncio que exterioriza meu sorriso em carne viva
sensato, sensato, sem tato
clamo a ti
a impureza
de um novo impacto
intacto

 

*Poema enviado pelo autor, o cara de estrabismo.net

 

Ramon Carlos, poeta brasileiro

 


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