POESIA

Alessio Brandolini

O que não mereço*

 

Dentro de nós estão os postes de luzes
e as placas que o frio polar abateu
estendes tua mão de gancho e a agarro
mal me erguendo na ponta dos pés.

Mais para o alto encontro a areia e a alegre
fila dos rastros das aves: a escritura
insone, vibrante no rubro das rosas
nas veias que estouram na testa
nos sinais do abandono, dos espinhos
e por baixo os cabos gélidos porque uso o mal
como um picão, um bate-estacas
vou fundo na carne (na minha, na nossa)
arrancando fígado, pulmões, coração.

          O que resta dos olhos.

 

*Reproduzido de http://www.algumapoesia.com.br, tradução de Vera Lúcia de Oliveira

 

Alessio Brandolini, poeta da Itália


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