POESIA

Olga Bergolts

E eu digo-lhe, que não são
vãos os anos que vivi,
nem inúteis os caminhos percorridos,
ou sem objectivo tudo o que ouvi.
Não são imunes ao mundo,
nem são imaginariamente uma prenda de anos,
os amores em vão também não foram,
amores fraudulentos ou doentes,
a sua luz limpa e imortal
sempre em mim,
                                       sempre em mim.
E nunca é tarde para de novo
começar toda a vida,
                                      encetar o caminho,
para que do passado ─ nem uma palavra,
nem um gemido seja destruído.

 

*Reproduzido de http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com , tradução de Manuel de Seabra

 

Olga Bergolts (1910-1975), poeta da Rússia

 


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