POESIA

Joumana Haddad

O Regresso de Lilith (excertos)*

 

Da flauta das duas coxas sobe o meu canto 
E da minha luxúria abrem-se os rios. 
Como não poderia haver uma maré 
de cada vez que entre os meus verticais lábios brilha um sorriso? 
Porque eu sou a primeiro e a última 
A cortesã virgem 
O medo cobiçado 
A adorada desprezada 
E a velada desnuda
Porque eu sou a maldição do que precede,
O pecado desaparecido dos desertos quando abandonei Adão. 
Ele andou aqui e ali, quebrou a sua perfeição. 
Desci-o à terra e acendi para ele a flor da figueira. 
Eu não sou nem a rebelde nem a égua fácil. 
Antes o desvanecer do pesar último. 
Sou Lilith
Regresso do meu exílio 
Para herdar a morte da mãe a que dei vida.

 

*Reproduzido de http://rosaleonor.blogspot.com , traduzido do francês por Mariana Inverno

 

Joumana Haddad, poeta do Líbano

 


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