Odair de Morais

ode ao supermercado

dinheiro hino moedas níqueis
sobem na escala monetária do supermercado
monótono
o cofre mostra-me a língua cheia de cifras
registra $$$ mede os lucros da casa
depois responde maquinal “obrigado!”
a funcionária erra, esquece a flexão do adjetivo,
enquanto tenta domar a apressada aeronave aritmética.
arrítmica – seus lábios que tanto contam sequer se lembram
dos beijos de ontem... –
pede socorro ao empacotador assustado
diante da pressa dos clientes
impacientes sobre a esteira imóvel da civilização:
vamos, minha filha, mas que demora!
o sol lá fora derreteu os automóveis, reclamam.
a moça treme fome frio sufoco
o troco
cai
foge entre as pernas fazendo acrobacias...

desculpa.


*Odair de Morais é poeta de Mato Grosso

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