POESIA

Charles Baudelaire

Sepultura d’um poeta maldito



Se, em noite horrorosa, escura,
Um cristão, por piedade,
te conceder sepultura
Nas ruínas d'alguma herdade,


As aranhas hão-de armar
No teu coval suas teias,
E nele irão procriar
Víboras e centopeias.


E sobre a tua cabeça,
A impedi-la que adormeça.
- Em constantes comoções,


Hás-de ouvir lobos uivar,
Das bruxas o praguejar,
E os conluios dos ladrões.



*Charles Baudelaire, poeta francês (1821-1867)

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