POESIA

J. Emílio-Nelson

Sobre o andrógino

Aquele a quem confio o coração e o trafica
Aparece com o rosto maquilhado
Da cor que não se distingue dos ossos
Com que me castiga o dorso.
E como um sopro que toca a luz
Deita-se de joelhos na nuca,
Serve a carne num banquete.
(Tem tanto de si em mim perdido — velha crença —
Que esqueço o que sou.)


*Reproduzido de http://bibliotecariodebabel.com/

emilio

José Emílio-Nelson, nascido em 1948, em Portugal, é poeta, crítico e editor. Este poema, publicado originalmente no dia sete de janeiro, foi o quinto mais acessado em 2017


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