POESIA

André Di Bernardi

Carnadura
 
Triste, alegre coração humano.
Danado de lastro e lava.
Sujo, todo de delicadezas prontas.
Feito de cardos. Carneiro. Cárneo.
Pronto para o abate.
Feio de dálias leves e lúcidas,
seria o máximo dizer-lhe: sangro.
 
Porque Deus teceu a este ponto,
um coração feito de carne.
 
Nesse mossoró interno
compaixão e ternura,
lastro e lástima.
O dito cujo carnoso.
 
Feio de tudo,
seria o máximo dizer-lhe.
Porque teço a este ponto.
Poesia.
Seria isto soprar-lhe na ferida viva?
A palavra, das mais delicadas, a delicada.
 
De Deus, minhas carniças.


*Reproduzido de http://www.antoniomiranda.com.br

André Di Bernardi, poeta brasileiro


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