POESIA

Augusta Faro

Moira
 
Nasci do ombro esquerdo de minha avó,
por isso tenho um olho no meio da testa,
que vê o fundo dos rios
e o contorno mais longe das montanhas.
 
Nasci em noite de tempestade
quando um raio abriu a concha
da escuridão mais escura.
 
Nasci olhando de lado,
como quem vê a poesia
brotando do chão
e me encharcando os sapatos.


*Reproduzido de http://www.antoniomiranda.com.br

Augusta Faro, poeta brasileira


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