PINGUE-PONGUE

Marina e Thiago batem ponto no tyrannus



maina

Marina

Breves conversações com duas pessoas bem jovens, cuiabanas, que estão surgindo com uma poesia que pede e merece passagem. Entre os prazeres de fazer o site passarinho nesta terra calorenta está o fato de constantemente me esbarrar com jovens artistas. Para um poeta mais experiente e calejado pela vida é sempre muito importante deparar-se com jovens fazedores de versos. Isso ajuda muito a não perder o viço e o vício da coisa - a poesia. 

Conheci Marina Taborelli e Silva e Thiago da Costa Pereira há dois, talvez quase três anos e a empatia foi imediata. Desde então nos tornamos super amigos e mantemos contatos frequentemente. Escrevem de maneira bastante distintas e já foram publicados aqui no tyrannus. Convidei-os para um pingue-pongue, com cinco perguntinhas, para esta edição especial de aniversário da cidade. Toparam na hora e eis as entrevistas...

Quando e como foi que você percebeu que o verso era um caminho viável para você?

Marina: Leio e escrevo desde os meus 6 anos. Quando criança, gostava de criar caderninhos, grampeando algumas folhas, para neles escrever e ilustrar pequenas histórias como as que eu lia. Lógico, somente quando tive maior contato com o gênero poético, já na adolescência, passei a escrever e a guardar os primeiros versos.

Thiago:  Costumo pensar que tive uma forte "explosão de ideias" a partir dos 15 anos. Foi quando entrei no mundo da Filosofia (e continuo, até hoje! Tanto que estou fazendo faculdade na área), dei uma refinada em vários aspectos da minha personalidade e passei a considerar os sentimentos com melhor seriedade. A consequência, dessa "virada no jogo", foi a de buscar expressão; não exatamente por fama, mas para liberar coisas que estavam presas e não suportava mais guardar. Sabe? Aquele exercício aliviante, "terapêutico". Comecei escrevendo textos "ensaísticos", mas, depois (tendo algumas aulas de literatura), logo cogitei a possibilidade dos poemas. Não teve outra! Tomei gosto pela coisa e... hoje não me vejo sem.

Para onde você acha que a poesia vai te levar?

Marina: Para a publicação de um livro, espero! Particularmente, vejo a publicação como um ato de "olhar para trás", validando e valorizando os trabalhos escritos até o presente.

Thiago: Eu sou um tanto "pé no chão", nessas questões. Enquanto estiver vivo, apenas espero — de minha arte — um refúgio, um potencializador de fantasias, um alçapão de desabafos, o espaço do Thiago/Costa Breu. Isso já me basta. A partir do momento em que eu "partir daqui", mantenho-me satisfeito em estar entregue, na minha escrita, os registros de quem fui. Trato dessa visão em meus próximos livros a serem lançados. Se eu conseguir coisas maiores, ótimo! Entretanto, meu foco é simplesmente ter meu cantinho e assegurar aquilo que viva mais do que a minha própria pessoa.

Explique a sua maneira particular de escrever poesia. Costuma fazer anotações prévias para depois versejar, ou os versos apenas chegam abruptamente e você mandar ver?

Marina: Os versos chegam abruptamente, logo, anoto-os para não esquecer e, em um momento posterior, faço correções pontuais.

Thiago:  Geralmente tenho alguma ideia ou outra (para temas) martelando na cabeça; a dificuldade é torná-la realidade e o resultado satisfazer minhas intenções. Todavia, o comum é que eu defina um assunto e a abordagem, para, aí sim, montar os versos e o rumo do texto (por vezes, com uso de anotações). Ah: tenho daqueles "insights" que outros artistas têm, algo como visualizar elementos aleatórios, no dia a dia, ou mesmo escutar músicas/ler outros livros e ter "estalos mentais".

Você acha que Cuiabá é uma cidade inspiradora? Discorra um pouquinho sobre isso?

Marina: Sem dúvida, tanto por ser uma cidade culturalmente viva, quanto por passar por um processo intenso de metropolização, Cuiabá inspira e merece ser o tema dos poemas de uma geração literária que superou o parnasianismo e tenha os olhos voltados para o local, e que escreva liras que exaltem essa gente, o linguajar único, e que tratem do ritmo acelerado de vida em uma cidade que cresce e se transforma.

Thiago: Com certeza. Nasci nesta cidade e muitíssimo do que vivi/vivo vem daqui. É uma capital bem tranquila, se compararmos com outras do país. Não sinto necessidade de me mudar. Esta terra é dona de muitas das pessoas que me são mais queridas, bem como histórias que vão desde o cômico ao intrigante.

O que mais gostaria de dizer em relação ao aniversário da nossa cidade?

Marina: O aniversário é uma excelente oportunidade para refletir sobre como chegamos até aqui e qual a cidade que queremos para o futuro. Eu, por exemplo, ficaria muito contente que a prefeitura de Cuiabá fosse mais atuante na preservação de nosso patrimônio histórico e maior incentivo/divulgação da cultura local.

Thiago: Sendo um cuiabano por natureza, uso a ocasião deste aniversário (e de todos os próximos) para prestar meu profundo respeito à cidade. Há seus problemas, que fique claro, não existem "maravilhas" e "contos de fadas". Entretanto, é meu berço. Minha casa, que como símbolo funciona igual a um organismo familiar vivo. Na verdade, é importante recolocar desta forma: nossa casa.

thiago

Thiago

Confira os poemas dos autores já publicados no tyrannus e também mais informações sobre eles nos links

https://www.tyrannusmelancholicus.com.br/poesia/13478/marina-taborelli-e-silva

https://www.tyrannusmelancholicus.com.br/poesia/13103/thiago-da-costa-pereira


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