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Ações começam nas próximas semanas



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A ação, direcionada a etnia Xavante, envolve a UFMT, FUNAI, Escritório Regional de Saúde e prefeituras de Barra do Garças, General Carneiro e Campinápolis

Escolas indígenas de Mato Grosso vão receber nas próximas semanas ações do Programa Saúde na Escola Indígena em diferentes áreas. O Programa Saúde na Escola Indígena é um projeto que envolve o Programa Saúde na Escola (PSE) na atenção primária a saúde na educação básica. A ação, direcionada a etnia Xavante, envolve a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Escritório Regional de Saúde e prefeituras municipais de Barra do Garças, General Carneiro e Campinápolis. As ações são estruturadas a partir de demandas das próprias comunidades indígenas.

A professora do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) do Câmpus do Araguaia e vice-reitora da UFMT, Rosaline Rocha Lunardi conta que o projeto é uma continuidade de um projeto anterior, uma oficina intersetorial de enfrentamento a mortalidade infantil Xavante, que contou com o Grupo de Estudos em Negligências em Saúde, Integralidade e Intersetorialidade (Genesis). “Essa oficina acontece com participação da UFMT, pelo Câmpus do Araguaia no grupo Genesis, o Escritório Regional de Saúde e mais o Distrito Sanitário Especial Indígena com a participação de outros setores como algumas secretarias municipais de saúde”, comenta a professora a respeito das oficinas que aconteceram nos anos de 2018 e 2019.

As oficinas promoveram uma aproximação entre os setores com a elaboração de um plano de enfrentamento à mortalidade infantil promoveu uma aproximação entre setores. “É um grande mérito dessas oficinas porque fez um afinamento entre as instituições, entre a saúde e a educação, entre o Estado e o Distrito Sanitário Indígena”, comenta Rosaline Rocha Lunardi acrescentando que das oficinas resultaram diferentes experiências exitosas que foram premiadas pelo Ministério da Saúde e o desenvolvimento de outras frentes de trabalho como a realização de estágios de estudantes de nutrição e medicina entre os indígenas.

“Essa interação seria para promover a saúde em 13 grandes eixos e o PSE, com raras exceções, é executado em território indígena. Aproveitando essa nossa experiência e a relação intersetorial que acumulamos, nós resolvemos fazer essa proposição de um Programa Saúde na Escola Indígena”, relata a professora Rosaline sobre o projeto que tem a abrangência em municípios do território Xavante. Ao todo são aproximadamente 25 mil pessoas no leste de Mato Grosso.

Projeto está dividido em dois eixos

Os caminhos do projeto são divididos em duas grandes ações. “A primeira, que aconteceu do final do ano passado até agora com a sensibilização dos municípios e também dos professores indígenas nas escolas para que se inscrevessem para participar deste programa”, conta a professora. A segunda etapa é composta da execução das propostas elaboradas pelos professores como formações em aldeias. “Essa ação será na aldeia Sangradouro, como primeiro projeto dentro do território indígena que faz parte do município de General Carneiro”, relata.

A professora conta que os municípios foram receptivos ao projeto inscrevendo as escolas indígenas no projeto. “O trabalho junto as escolas também foi bastante interessante porque foi feito um movimento junto aos coordenadores, diretores e professores das escolas indígenas em que mostramos o que é o PSE, os temas que deveriam ser trabalhados e que a iniciativa deveria partir dos professores em que eles desenhariam os projetos dos 13 temas de saúde”, explica a professora Rosaline Lunardi sobre os projetos propostos pelos professores das escolas indígenas.

Um dos projetos propostos foi o de hortas pedagógicas. “Eles aprendem a produzir, sobre segurança alimentar e podem utilizar a produção”, destaca apontando outros projetos propostos pelas populações indígenas como em saúde mental. Inclusive a proposta surpreendeu a equipe coordenadora do projeto. “Eles se mostraram interessados e propuseram trabalhos nesse sentido e alguns outros temas como a saúde física e a promoção do esporte e a saúde”, aborda a professora explicando que a equipe condutora orientava como construir o projeto e o direcionamento sobre a realização ficou a cargo de professores e diretores das escolas indígenas.

Saúde mental e parasitoses estão com atenção especial no projeto

As propostas sobre saúde mental, segundo a professora Rosaline Lunardi, abordam temas como álcool e outras drogas e a questão da violência. “É um assunto bem sensível, que era muito velado, e que eles não tratavam sobre isso. Não se falava a questão do suícidio entre os Xavantes. Eram tabus e nos impressionou o fato de partir deles essa iniciativa de querer trabalhar com o tema da saúde mental”, disse a professora pontuando que já havia iniciativas no tema a partir do grupo intersetorial, mas que no Projeto Saúde na Escola Indígena a abordagem será construída junto com os professores e grupos de apoio.

A partir das demandas a equipe organizadora avançou para trabalhar com as indicações. “O grupo condutor entra como suporte, nesse caso a universidade, o Escritório Regional de Saúde e mais o Distrito Especial Sanitário Indígena. Essas equipes vão dar o suporte quando os professores não tiverem a base para tratar do assunto. No caso da horta pedagógica eles tem conhecimento, a Funai vai entrar com orientações”, relata. Cada ação do projeto será construída em conjunto. “Toda a construção tem de ser junto. Tanto assim que os projetos não foram proposições da equipe condutora. Foram projetos incentivados, criados pelos professores naquilo que eles observaram de demandas importantes”, analisa a professora.

A equipe organizadora também propõe temas para abordar com os povos indígenas. “As ectoparasitoses que são negligenciadas no geral não surgiram, mas a gente pode como grupo condutor ir incentivando que se pense sobre isso. A gente parte primeiro das demandas próprias em que eles escolhem o que é essencial e conforme forem surgindo outras demandas vamos fazer este diálogo. Sempre partindo da identificação deles sobre uma situação a ser trabalhada”, relata a professora Rosaline Lunardi. (*com assessoria da UFMT)

 


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