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Frases e pensamentos*



 

"Montaigne conheceu índios vindos do Brasil e os interrogou mediante um intérprete. O filósofo soube então que os índios estranharam a servil obediência dos franceses a uma criança (o rei Carlos IX, que os recebia). E não só: os mesmos "selvagens" indignaram-se ao ver homens maltrapilhos esmolando à porta de senhores opulentos "sem agarrarem os ricos pela garganta e atearem fogo às suas casas."

"O poeta é o doador de sentido."

"Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular ou vender."

"A poesia moderna foi compelida à estranheza e ao silêncio. Pior, foi condenada a tirar só de si a substância vital."

"O papel mais saliente da ideologia é o de cristalizar as divisões da sociedade, fazendo-as passar por naturais; depois, encobrir, pela escola e pela propaganda, o caráter opressivo das barreiras; por último, justificá-las sob nomes vinculantes como Progresso, Ordem, Nação, Desenvolvimento, Segurança, Planificação e até mesmo (por que não?) Revolução."

"A lucidez nunca matou a arte. Como boa negatividade, é discreta, não obstrui ditatorialmente o espaço das imagens e dos afetos."

"Obrigado! Palavra simples: dizemo-la a toda hora, sinal de reconhecimento do outro; gota de óleo quase imponderável na leveza da sua matéria, é, no entanto, preciosa no momento de amaciar a difícil engrenagem que são as relações humanas. Moeda corrente do cotidiano, traz, porém, no metal em que se fundiu o compromisso ético que lhe vem da ideia de obrigação. Dizê-la é também um dever."

 

*Seleção de frases reproduzidas do site https://www.pensador.com/

USP

bosi

Nascido em São Paulo (SP), Alfredo Bosi (1936 - 2021) foi um prestigiado crítico e historiador da literatura brasileira. Era professor emérito da USP e ingressou na Academia Brasileira de Letras em 2003. Seu conhecimento apurado de filósofos como Vico, Hegel, Croce, Lukács, suas análises críticas sobre arte, história e política o colocaram entre os intelectuais mais lúcidos do Brasil da segunda metade do século XX. Deixou, entre outras obras, "História concisa da literatura brasileira" (1970), "O ser e o tempo da poesia" (1977), "Céu, inferno" (1988), "Dialética da colonização" (1992), "Ideologia e contraideologia" (2010) e "Entre a literatura e a história" (2013)

 

 


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