PROSA

Bondade com peixinhos*



Logo após chegar a nado nesse vale de lágrimas o estrengeirim do Kevineen se deliciava brinquejando com a esponja toda noite da banheira. Já menino inebriado pelo zelo da santa religião que lhe fora instilado no colo da avó a velha senhora Jones ficou cada vez mais pio e abstraído como quando sabe Deus quando, ejaculando uma indulgência de quarenta dias e dez quarentenas, sentou no prato de caldo de cordeiro.

Ele simplesmente não tinha tempo para moças ou coisas e sempre dizia à caríssima mãe e às caras irmãs comoo quanto a caríssima mãe e as caras irmãs lhe bastavam e pronto. Dele mais se nos diz que aos seis anos de idade escreveu uma redação premiada sobre a bondade para com peixinhos de água doce.

 

*Breve ficção reproduzida do livro "Finn´s Hotel" (Companhia das Letras - 2014), com tradução de Caetano Galindo, obra presente na biblioteca do tyrannus

joyce

O irlandês James Augustine Aloysius Joyce (1882 - 1941) é acusado maciçamente de ser um dos maiores escritores do século 20. Foi romancista, contista e poeta. Na poesia, especificamente, foi bastante ativo nos primórdios do modernismo poético em língua inglesa. Seus livros mais famosos são o volume de contos "Dublinenses" (1914) e os romances "Retrato do Artista Quando Jovem" (1916), "Ulisses" (1922) e "Finnegans Wake" (1939). Sua criação demonstra um domínio deslumbrante da linguagem com frequente utilização de formas literárias inovadoras, associadas à criação de personagens que, como Leopold Bloom e Molly Bloom, constituem indivíduos de uma profunda humanidade (com informações da Wikipédia)





 


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