CRÔNICA

Fazer o que desejamos*



bie miolo

Nos compêndios dos livros que estudei os desejos de gravidez são "vontade impulsivas, quase incontroláveis de comer um alimento com sabor ou textura específicos"

Como é bom fazer na hora aquilo que desejamos.

É difícil explicar com palavras a sensação que temos após saciar um desejo extemporâneo, que nos leva ao bem-estar.

Há muito tempo o jantar não faz parte das minhas refeições.

Em seu lugar apenas um pequeno lanche de pão de forma integral com creme de requeijão light, geleia light de goiabada com um copinho de iogurte de morango também light, antes de dormir.

Noite dessas me deu uma vontade danada, após o lanchinho, de comer umas fatias de salaminho.

Estava tão gostoso o aperitivo que pedi para repetir, pois só assim teria a certeza de um sono reparador sem sobressaltos.

No outro dia não queria nem pensar no salaminho, que na noite anterior me fizera tão bem!

Sempre trabalhei com as histórias das mulheres grávidas.

O seu repertório é imenso e era motivo de conversas na Cuiabá antiga.

No tempo em que as pessoas faziam visitas, como era interessante ouvir essas histórias!

Nos compêndios dos livros que estudei os desejos de gravidez são “vontade impulsivas, quase incontroláveis de comer um alimento com sabor ou textura específicos”.

Acontecem no primeiro trimestre da gestação, e não devem ser negados, segundo a crença popular, para desespero do pai da criança.

Quantas vezes saiam pela madrugada à procura do desejo da sua mulher, nem sempre encontrando.

Outra antiga lenda era aquela referida aos enjoos.

As nossas mães educavam suas filhas para não se engravidarem logo após o casamento.

Temiam que elas enjoassem dos seus maridos e vice-versa.

Comer coisas extravagantes em horas também era um certo sintoma para o diagnóstico de gravidez.

Agora idoso, fazer uso de extravagância alimentar só poderá ser diagnóstico de velhice.

Espero que os meus desejos alimentares parem com o delicioso e gordurento salaminho.

Que outros desejos se aproximem de mim, da época em que eu ainda jantava.

De lá para cá foram tamanhas as mudanças que enfrentei que nem capaz sou de enumerá-las.

Fazer o que desejamos é nesta altura uma filosofia de vida.

 

*Texto e fotografia reproduzidos do endereço http://bar-do-bugre.blogspot.com/ , de Gabriel Neves, médico e cronista de mão cheia que colabora com o tyrannus


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