Sexta, 14 de janeiro de 2022, 00h10
CRÔNICA
Escolhendo a profissão*

Gabriel Novis Neves

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bie miolo

Gabriel Novis Neves nasceu em Cuiabá em 1935. Como muitos cuiabanos, fez curso superior no Rio de Janeiro, especializando-se em Psicologia Médica e Obstetrícia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (antiga Universidade do Brasil). Após voltar para Cuiabá, foi secretário de Educação e primeiro reitor da Universidade Federal de Mato Grosso (1971-82) . Posteriormente, ainda ocupou secretarias importantes, como Casa Civil e Saúde. É um cronista notável e vez em quando seus textos enriquecem o tyrannus

Tenho um verdadeiro fascínio para saber como um adolescente escolhe a sua futura profissão.  Nessa época, ou desde essa época, “ninguém sabe o que quer”.

De há muito existe os famosos testes profissionais, que na prática provaram a sua ineficiência.  Foram terrivelmente ridicularizados quando o médico da seleção brasileira de futebol em 1958 convidou um psicólogo para realizar testes profissionais nos seus jogadores para a Copa do Mundo na Suécia.  Garrincha não tinha aptidão para jogar futebol, revelou o teste!

No meu caso, quando da escolha da minha profissão aos 17 anos, tinha convivência com o comércio e a medicina.  Meu pai me negou a oportunidade de continuar comerciante como ele.  Só me restou a medicina, que conhecia por auxiliar meu avô médico.

Mesmo após enfrentar um competitivo vestibular e ser classificado para me tornar médico, confesso que tinha dúvidas se tinha feito a escolha correta.  Isso me atormentou muito até o 4º ano da faculdade.

Com as aulas práticas em hospitais percebi que teria que concluir o curso superior.  Tive lipotimias nas primeiras vezes que entrei no Centro Cirúrgico para assistir aos procedimentos cirúrgicos.  Depois, em mais de meio século, trabalhei nos Centros Cirúrgicos dos hospitais.

Alguns colegas de turma abandonaram o curso antes da sua conclusão.

A verdade é que “ninguém sabe o que faz, ninguém sabe o que quer”.

No decorrer da carreira,  cuja profissão “escolhemos”, quantos não a trocaram por outras atividades jamais pensadas?

“Toda a vida é um sonho”.

Nunca sabemos sobre nossas escolhas,  e quantas vezes esse sonho não é traduzido em pesadelos nos acompanhando pelo resto da vida?  Escolha da profissão é um dos desafios que enfrentamos,  às vezes por toda a nossa vida.

“Dormimos a vida, eternas crianças do Destino”.

 

*Crônica reproduzida do blog Bar do Bugre, link http://bar-do-bugre.blogspot.com/ . Fotografia reproduzida do site https://pensarcultura.com.br/

 


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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