Segunda, 07 de março de 2022, 17h14
POEMA
Instruções de bordo*

Ana Cristina Cesar

 

Pirataria em pleno ar.
A faca nas costelas da aeromoça.
Flocos despencando pelos cantos dos
lábios e casquinhas que suguei atrás
da porta.
Ser a greta,
o garbo,
a eterna liu-chiang dos postais vermelhos.
Latejar os túneis lua azul celestial azul.
Degolar, atemorizar, apertar
o cinto o senso a mancha
roxa na coxa: calores lunares,
copas de champã, charutos úmidos de
licores chineses nas alturas.
Metálico torpor na barriga
da baleia.
Da cabine o profeta feio,
de bandeja.
Três misses sapatinho fino alto esmalte nau
dos insensatos supervoos
rasantes ao luar
despetaladamente
pelada
pedalar sem cócegas sem súcubos
incomparável poltrona reclinável.

 

*Poema reproduzido do site http://poemadehoje.blogspot.com/

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ana cristina

Ana Cristina Cesar (1952 - 1983) nasceu no Rio de Janeiro e é uma adorada poetisa brasileira. Foi uma das principais representantes da Poesia Marginal, movimento literário conhecido também como Geração Mimeógrafo, que ribombou nos anos 1970. Além de poeta, atuou ainda como jornalista, tradutora e crítica literária. Formada em Letras pela PUC-Rio, foi mestre em Comunicação pela UFRJ e em Teoria e Prática de Tradução Literária pela Universidade de Essex, na Inglaterra. Em 2016, pela colaboração da sua obra dentro da historiografia literária brasileira, foi homenageada na Festa Literária Internacional de Paraty





 


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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