Segunda, 20 de junho de 2022, 15h57
CRÔNICA
O torresmo no contexto literário

lorenzo

feijo

Flagrante da comitiva de Tangará da Serra que prestigiou a chegada do novo livro

Ui ui ui, ai ai ai... feijoada com literatura combina bem. Vai que vai. Eu fui. Mais uma articulação de um agitado amigo autor, que lançou seu novo livro nesse estilo. Trouxe uma comitiva de estudantes e professores das letras da Unemat, de Tangará da Serra (MT), aos quais, se juntaram professores do IFMT de Cuiabá e outras gentes que consomem e/ou fazem literatura.

Assim que é bom. E foi desse jeitinho que chegou “O homem do país que não existe” (Carlini & Caniato), o mais novo romance de Eduardo Mahon. Isso já faz um tempinho, mas eu precisava registrar aqui porque ficou ribombando na minha cachola o lançamento do livro. O cheiro da feijoada também permanece na minha memória olfativa. Ah... o torresminho tava de matar. A completude toda do cardápio idem.

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Divanize, Lucinda, Neide e Marli... mulherada de MT que bota pra quebrar nas letras

Quando cheguei ao evento, bom, primeiro vou falar de “evento”, a palavra. Tô pra ver uma mais desgastada do que essa na minha longeva experiência de jornalista cultural. É evento demais, aqui e ali e acolá e ainda não consegui encontrar um sinônimo adequado. Daí, que estou aceitando sugestões para substituí-la por outra que soe menos formal ou informal em demasia. Parada, babado, lance, rolê e acontecimento já não me satisfazem.

Pois é. Mas o que aconteceu foi que, atendendo ao horário estipulado, cheguei tarde para acompanhar a conversação que precedeu a feijoada – a tal da feijoletras, envolvendo a comitiva de Tangará e o autor que, na mesa, se fez acompanhar por Walnice Vilalva e Divanize Carbonieri. Duas mulheres atuantes da “literatura brasileira produzida em Mato Grosso”, identificação muito bem cunhada por Mário Cezar Silva Leite que, por sinal, também estava lá.

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Lindinalva e Mário naquela tricotada básica

E agora se faz necessário cravar aqui que esta crônica é totalmente dedicada aos estudantes do curso de letras da Unemat de Tangará da Serra, aqueles que vieram à Cuiabá para acompanhar a feijoletras que celebrou a chegada do novo romance ao público leitor. Um público sobre o qual já ouvi dizerem, é composto principalmente por gente que escreve ou que quer vir a escrever. Gente corajosa, digamos, pois ser escritor nunca se enquadra direito como profissão, ou mesmo, atividade, que será desenvolvida com resplendoroso aporte financeiro.

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Divanize, Walnice e Mahon se revezando para responder as perguntas da comitiva de Tangará

Questões monetárias são outro papo e não preciso discorrer sobre elas. Mas, mesmo chegando atrasado pra conversação literária, fiquei maluquinho da silva pra pitaquear.  Mahon, Diva e Walnice, quero crer, respondiam sobre intenções e propósitos de um autor para com sua obra e como isso ou aquilo é assimilado por quem lê. Assunto interessante e imagino que jamais será plenamente elucidado, considerando que a literatura, por enquanto, está impossibilitada de se emparentar com as ciências exatas. Não deve ser tratada meramente como ciência, apesar de que do ponto de vista acadêmico, pode ser escarafunchada a bel-prazer.

Encerrada a conversação literária, chamei o Mahon para adquirir a nova obra e fomos ao seu escritório. Eu ainda estava imbuído pela vontade quase descontrolada de discutir processos criativos de escritores e desejava conversar com ele ou com quem quer que fosse sobre isso. Mas, nesse trânsito Mahon me levou até a cozinha do seu QG, de onde emanava um odor delicioso de torresmo. Minhas intenções foram pro espaço e o torresmo, um valor mais altaneiro naquela altura dos acontecimentos, alevantou-se.

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Edson Flávio em pose de pensador/entendedor de aldravas que abrem as portas para a literatura

Saboreando o acepipe invencível descemos para o salão onde a feijoada foi servida. Acomodei-me numa mesa com pessoas queridas, ladeado pelo impagável Geraldo Mahon, pai do escritor anfitrião. E a crônica termina aqui. Em se tratando de um gênero literário bastante ligado à vida cotidiana, posso dizer que naquele sábado, ao final da manhã, fomos felizes para sempre.

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Geraldo Mahon: "esse guri meu é demais de agitado"


OBSERVAÇÕES

O romance “O homem do país que não existe” pode ser adquirido na editora Carlini & Caniato através do link https://tantatinta.com.br/livro/o-homem-do-pais-que-nao-existe/ . Os dois parágrafos que abrem o romance podem ser conferidos no linkhttps://www.tyrannusmelancholicus.com.br/cronicas/13803/o-homem-do-paa-s-que-na-o-existe-trecho

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Esse povo aí tava todo lá

 

 

 

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Povo que gosta de literatura e de feijoada

 


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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