Obra incomum, elogiada pela crítica

Por Tyrannus Melancholicus em Domingo, 10 de janeiro de 2016, 10h00

Obra alvejada por galardão literário

O livro que me chama a atenção – mais um que quero ler – é “Associação Robert Walser para sósias anônimos” (Editora Cepe), lançado recentemente. Nome bastante incomum esse que Tadeu Sarmento escolheu par sapecar em seu romance de estreia. Com a obra, o autor faturou o II Prêmio Literatura de Pernambuco, em 2014.

Sarmento se utiliza de uma narrativa inerente ao autor que demonstra preocupação com a pesquisa de linguagens e de estrutura das formas literárias. Dessas lides, então, brotou este romance metalinguístico que gira em torno de uma surreal associação formada por sósias e de uma cidade paraguaia criada sob os princípios da filosofia kantiana, ameaçada por uma visita inesperada.

O escritor faz referências históricas e a inúmeros filósofos.Usa dessas ferramentas para ludibriar o leitor e urdir uma construção engenhosa e contemporânea.

Elogiado pela crítica, tudo leva a crer que, finalmente, as qualidades do autor, que foi rejeitado ao longo de dez anos por inúmeras editoras, começam a ser reconhecidas. Durante esse jejum editorial, Sarmento acumulou uma produção respeitável: dez livros inéditos, entre eles, sete romances.

costa neto

Autor passou dez anos recebendo negativas de editoras

O escritor já publicou outros livros: "Breves Fraturas Portáteis" (Fina-Flor,2005) e "Paisagem com Ideias Fixas" (Bartlebee,2012). Mas este é o seu romance inaugural.

“Uma boa história contada com a habilidade das narrativas policiais e a criatividade dos que abrem mão da linearidade, da facilidade e que fazem do caminho labiríntico um meio de encantamento para que o leitor penetre no livro como quem está num jogo.” Foi o que escreveu Adriane Garcia site www.mallarmagens.com .

O escritor e resenhista André de Leones também aprovou o livro de Sarmento, no jornal O Estado de São Paulo: “a forma como as tramas são ligadas é um primor de imaginação, com o romance se debruçando sobre si mesmo e se revelando um labirinto de espelhos no qual a própria estrutura da fabulação reflete o jogo de duplos e impostores estabelecido desde o começo”.

Sobre sua labuta literária, no interessante site onde escritores desnudam seus processos criativos (2miltoques.tumblr.com), escreveu Sarmento: “com o tempo, acredito ter adquirido um comutador mental que me permite passar da imaginação para a realidade sem criar entre esses mundos nenhuma ligação que não a liberdade de transitar entre eles sempre que desejar, como um sonâmbulo de férias, dirigindo, no sonho consciente e sem habilitação, um carro possante”.

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