RESENHA

"Fraternal": não há o que tirar nem por



fred gustavos

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Túlio Paniago

Em dezembro de 2021 assisti um curta-metragem de Túlio Paniago, um artista em franca ascensão. Reproduzo nesta edição que celebra os 303 anos de Cuiabá a resenha que escrevi sobre o filme dele, produção esmerada, que, na minha opinião, representa a boa qualidade do audiovisual contemporâneo de MT. De Cuiabá, pra ser mais específico.

Túlio ainda bem é jovem, creio que por volta dos 30, já estudou e vem se virando em artes como o cinema e o teatro. Conheço-o mais como jornalista cultural, onde já se mostra preparado para discorrer sobre as artes com desenvoltura. Seus textos são interessantes e prendem o leitor. 

Lançou um livro de poesias no mês passado, já noticiado aqui no tyrannus, e dessa obra já surrupiei um poema, também publicado neste site. Mas não é sobre isso que vou escrever. Minhas palavras são direcionadas para "Fraternal", curta-metragem que ele escreveu e dirigiu, que teve sua estreia na quarta (22). 

Cerca de oitenta pessoas prestigiaram a estreia de Túlio na direção. Pela reação da plateia, ficou claro que o curta agradou. Agradou muito, eu faço questão de dizer. É diferente quando a reação do público está presente muito mais com intenção de prestigiar o artista (os artistas, pois cinema é arte coletiva). Os aplausos foram sinceros e até acho que poderiam ser mais calorosos.

"Fraternal" tem um ritmo interessante e desperta empatia com quem assiste. Uma intensa carga dramática é passada pelos excelentes protagonistas: Romeu Benedicto, a quem acuso de ser o melhor ator de Mato Grosso e não é de hoje; mais a incrível Vera Capilé, ótima cantora e compositora, que parece uma atriz pronta, apesar da pouca experiência na arte de interpretar uma personagem. 

O curta mexeu comigo do início ao fim. É daqueles que faz a gente querer conversar sobre o que se vê ao longo da exibição, coisa que não é recomendável, claro. A tessitura da trama é muito bem costurada, proporcionando rara verossimilhança e salta aos olhos (e ouvidos) do espectador. Os diálogos são primorosos e as qualidades do texto, inteligente e criativo, surpreendem quem assiste. O resultado final é que os trinta minutos do filme 'voam' e de repente tudo termina. Ah... e um grande final é tudo que qualquer artista que desenvolve narrativas deseja. Então, sou obrigado a dizer que "Fraternal" é um curta arrebatador.

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Vera Capilé

Seria desonesto de minha parte não elogiar os outros quesitos da carpintaria cinematográfica em "Fraternal". A fotografia é concisa e se vale tanto dos detalhes, quanto   do conjunto oferecido pela ambiência cênica. A trilha sonora autoral está encaixada como luva e valoriza muito o contexto da obra. O trabalho de som está impecável. Em nenhum momento alguma fala dos personagens ficou inaudível. E a montagem ficou perfeita. 

Não há, na minha opinião, o que tirar nem por, nesse curta. Às vezes, quem avalia um filme, escorrega na mania de dizer isso ou aquilo sobre o que viu e exagera. Um pecado isso, porque o escrevinhador precisa entender que o filme não é dele, que está avaliando, mas sim do diretor, que comandou uma enorme equipe. E aqui louvo o trabalho da produção. Enfim, a equipe de "Fraternal" estava afinadíssima. E não é possível que a força do resultado final foi apenas um golpe de sorte. Há muito talento envolvido e bem utilizado neste curta.  

"Fraternal" nada fica a dever em relação aos filmes breves que tenho assistido ao longo de tantos anos. Seu acabamento o credita a participar e concorrer em eventos do cinema brasileiro e também de outros países. Não há ousadias mirabolantes no curta, nada de efeitos ou reviravoltas que mexem com as retinas e o raciocínio do público. Não há truques intencionais para chocar quem quer que seja. Há apenas um feijão com arroz, com delicioso tempero.

Meus destaques vão para a generosa direção de Túlio, com seu texto a tiracolo, a força dos personagens e seus intérpretes, a sensibilidade da trilha e a montagem. Putz, com esses destaques, creio que a equipe toda está implícita. E agradeço a todos os envolvidos por me propiciarem uma experiência única, uma dessas coisas que acometem os consumidores de arte, que ficam cravadas para sempre na memória e que, após vivenciar, a gente não sai a mesma pessoa. 

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Romeu Benedicto

Não sou um crítico de carteirinha e minha trajetória jornalística com o cinema começou na virada dos anos 1980/1990, quando editei um zine de conteúdo audiovisual. Foi um período em que assistia dois filmes por dia e gozava do patrocínio de praticamente todas as locadoras de vídeo de Cuiabá. Depois disso acompanhei muitos festivais, na maioria das vezes, com a incumbência de escrever e/ou comentar sobre as produções exibidas. 

Sou remanescente de tempos em que a ausência de textos críticos sobre as artes era uma raridade neste Mato Grosso. Que bom que as coisas mudam e hoje há um razoável número de pessoas que têm o que dizer e sabem como fazê-lo.

Ainda teria muitas linhas a tecer sobre "Fraternal" e os impactos que o curta me causou. Paro aqui e só pra não encompridar demais o palavrório. E reforço o meu agradecimento à toda equipe envolvida no curta-metragem. É assim que precisamos fazer quando a arte contribui para expandir nossas emoções e conhecimentos. Valeu galera, vocês estão de parabéns! 


Leia mais sobre o filme em...

 

http://www.tyrannusmelancholicus.com.br/noticias/13617/com-vera-capila-e-romeu-benedicto

 


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