SILVA FREIRE

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ossatura

 

Trinta anos se passaram até o surgimento do último volume da Trilogia Cuiabana completando a obra de um dos expoentes da literatura mato-grossense, o poeta Benedito Silva Freire. Com o título "Ossatura da Cuiabania", o livro, juntamente com os dois primeiros, "Presença na Audiência do Tempo" e "Na Moldura da Lembrança", simbolizam o legado do poeta sobre a cuiabania.

A Casa Silva Freire, que mantém seu acervo preservado, e agora catalogado e digitalizado, realizou há poucos dias o lançamento da trilogia, no Cine Teatro Cuiabá. O evento  foi  marcado também pela première do documentário "Charivari", que revê a trajetória do poeta e exalta sua contribuição imensurável para o desenvolvimento cultural de nosso Estado.

O projeto foi selecionado no edital Mestres da Cultura, realizado pelo Governo de Mato Grosso, via Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), em parceria com o Governo Federal via Secretaria Nacional de Cultura do Ministério do Turismo.

A diretora da Casa Silva Freire, Larissa Freire Spinelli, destaca que os três volumes foram organizados e diagramados pelo poeta gráfico e visual Wlademir Dias-Pino. Os dois primeiros foram lançados em 1991 pela editora da Universidade Federal de Mato Grosso, conforme o trabalho de Silva Freire e Dias-Pino. O terceiro volume, "Ossatura da Cuiabania", é resultado do trabalho cuidadoso de resgate da obra por Larissa Silva Freire Spinelli, Maria Teresa Carrión Carracedo e João Paulo Paes de Barros. O edital Mestres da Cultura atende assim, a uma expectativa de lançamento do terceiro volume, desta vez, pela Editora Entrelinhas.

A obra Trilogia Cuiabana é resultado de vinte anos de pesquisas realizadas pelo autor, documentando aspectos variados do processo cultural e histórico da região do Vale do Rio Cuiabá, desde os culturais, históricos, políticos, artísticos, psicossociais, linguísticos, gastronômicos, educacionais, religiosos, urbanos, jornalísticos até a contribuição cuiabana à literatura de vanguarda nacional. 

A publicação e lançamento desse volume 3, acompanhado pelo documentário, proporciou um reparo histórico de três décadas no que tange ao conjunto da produção literária de Silva Freire, interrompida com seu falecimento. E completa, dessa forma, um ciclo de produção intelectual do autor dedicado ao delineamento da identidade cultural da cuiabania. Portanto, um livro de luta pela cuiabania como crítica cultural à cidade que se moderniza, uma forma de lutar contra o apagamento da cultura local.

charivari

 

Documentário

O curta documental, "Charivari", realizado em uma coprodução com os cineastas Juliana Segóvia, Sérvulo Del Castilho e Maurício Pinto, abordará a vida, pensamento e obra do autor com o roteiro baseado em uma entrevista inédita de Silva Freire à Revista Contato Hoje.

Quem o entrevista, é o jornalista André Machado, com apoio do amigo Dias-Pino e edição e pauta de Maria Teresa Carrión Carracedo. Ela foi gravada em Cuiabá, em 1991, três meses antes de Silva Freire falecer, em 11 de agosto, aos 62 anos. O poeta que nasceu em Porto de Fora, vila próxima a Mimoso, que é distrito de Santo Antônio de Leverger em 20 de setembro de 1928, permanece vivo na memória da cuiabania como brilhante advogado, jornalista cultural, poeta de vanguarda e professor titular do Departamento de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

A entrevista está gravada em áudio, assim, foi um grande desafio transformar o registro em vídeo, como explica Juliana Segóvia, uma das diretoras do documentário. “Na entrevista ele fala sobre o terceiro volume e o caminho que trilhou na literatura. Nosso desafio foi romper as narrativas formais. Mas graças ao cuidado da Casa Silva Freire, pudemos acessar registros diversos em vídeo, fotos e textos do poeta”.   

fred gustavos

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A família do poeta durante o lançamento do livro e curta documental

O poeta

Nas décadas de 50 e 60, participou dos movimentos político, estudantil e artístico-cultural nacional e estadual por um idealismo socialista trabalhista em defesa da democracia e dos direitos fundamentais do cidadão. Colaborou para a formação cultural brasileira e para história política, educacional e literária mato-grossense, tendo sido preso e cassado em seus direitos políticos pela ditadura militar na ocasião da Revolução de 31 de março de 1964, ficando aproximadamente 48 dias detido, tendo respondido a Inquérito Policial Militar (IPM) e sua liberdade vigiada pelos 20 anos seguintes.

Injustamente, suas ideias progressistas, socialistas e nacionalistas foram alcunhadas de comunistas. Começou a docência na embrionária Faculdade de Direito de Cuiabá, mas foi demitido da cátedra de Legislação Social que ocupava em 23 de setembro de 1964. Desde o período de sua cassação até o retorno da democracia no país em 1985, Silva Freire continuou se dedicando ao jornalismo cultural, à literatura e aos trabalhos jurídicos por meio dos quais denunciava a ditadura que se instalou no Brasil, fazendo da tribuna do júri o lugar de defesa da liberdade.

Dedicou-se ao trabalho comunitário, proferindo palestras e conferências a convite, inclusive de professores do Departamento de Letras, sindicatos, escolas, grêmios estudantis, clube de mães e clube de serviços. Como um dos fundadores do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso prosseguiu a atividade jornalística escrevendo nos jornais: Tribuna Liberal, O Social Democrata e Folha Trabalhista, de Campo Grande; O Momento, de Corumbá; Folha Mato-grossense, Correio da Imprensa, semanário Vanguarda Mato-Grossense, O Estado de Mato Grosso, Defesa, da OAB-MT, A Gazeta e Revista Esquema, de Cuiabá e jornal do Conselho Federal da OAB.

fred gustavos

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A diretora da Casa Silva Freire, Larissa Freire Spinelli

Fundou e dirigiu os suplementos literários: Poemas e Letras, no jornal Equipe; e Proposta, no jornal Folha da Serra, de Campo Grande. Em Cuiabá, prosseguiu sua intransigente defesa da Arte, da cultura popular e também do esporte, promovendo o teatro experimental com Glória Albues e Luiz Carlos Ribeiro, perseguindo a incansável tarefa de animação cultural, estimulando e abrindo portas para jovens realizadores nas áreas de teatro, dança, literatura, artes plásticas e visuais. Quatorze anos após sua cassação, foi reintegrado ao quadro docente da UFMT no ano de 1980. Doravante, exerceu a cátedra de Direito do Trabalho e Prática Forense e de Direito Penal e Processo Penal até o ano de seu falecimento em 1991.

No campo da literatura, foi um dos fundadores do Movimento Literário Intensivista, da Casa da Cultura de Cuiabá e da União Brasileira de Escritores em Mato Grosso. Membro da Academia Mato-grossense de Letras onde ocupou a cadeira de número 38. Suas pesquisas poéticas de abordagem etnográfica e sociológica resultaram em um mapeamento memorialístico “rurbano”, com as primeiras produções publicadas em jornais e revistas literárias na década de 1950, poemas em formato de doze Cadernos de Cultura na década de 1960 a 1970 e o primeiro livro de poesia, Águas de Visitação, publicado em 1979.

Publicou: Silva Freire – Social, Criativo, Didático (UFMT, 1986); Barroco Branco (Fundação Cultural de Mato Grosso/Ed. Amazônida, 1989); Depois da Lição de Abstração (Separata da Revista da Academia Mato-grossense de Letras, 1985); Trilogia Cuiabana, volumes 1 e 2, organizada por Wlademir Dias Pino, (UFMT, 1991); 13 Cadernos de Cultura, em páginas avulsas; Águas de Visitação (1979), reeditado em 1980 (Edições do Meio); 1989 (Adufmat-UFMT); e 2002 (Lei Estadual de Incentivo à Cultura). O mestre da cultura Silva Freire dividiu sua dinâmica atuação na imprensa com o exercício profissional de advocacia, a cátedra universitária, as atividades políticas, a vida cultural e a produção literária. O compromisso com a ética transpassou suas atividades, bem assim a sua produção literária atravessou a esfera poética atingindo e encontrando a política, a jurídica, a educacional, a filosófica, e antropológica e a sociológica, deixando um legado imaterial para a cidade de Cuiabá, denominada, carinhosamente, por ele de “pátria de meu coração”. (*da assessoria da Secel-MT)

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SERVIÇO

O QUE: lançados o livro "Ossatura da Cuiabania", de Silva Freire; e o documentário "Charivari", sobre o artista
MAIS INFORMAÇÕES: na Casa Silva Freire, pelo celular (whatts) 98127 3268

 

 


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