LANÇAMENTO/LIVRO

"Na sua escola tem racismo?..."



racismo miolo

A vivência na escola que resultou no livro apontou, segundo a autora, a falta de expectativas positivas

O racismo estrutural é tema de discussões que alcançam diferentes espaços públicos, com destaque para a escola. A fim de compreender as manifestações e implicações do racismo estrutural no escolar, a pós-graduanda do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), Flávia Gilene Ribeiro lançou no dia 17 de maio, o livro “Na sua escola tem racismo? Na escola do Brejinho tem! Contornos do racismo institucional na educação escolar”. 

O lançamento aconteceu na Casa das Pretas, localizada na Praça da Mandioca, centro histórico de Cuiabá. A obra traz a experiência da pesquisadora e reflexões desenvolvidas na experiência do magistério e também no PPGE, onde atualmente cursa o doutorado em Educação com participação no grupo de pesquisa Grupo de Pesquisa Movimentos Sociais e Educação (GPMSE).

A professora contou que o primeiro contato com a questão do estudo foi em 2007, como professora em uma escola pública da cidade de Juara. "Foi quando uma aluna olhou para a outra e falou assim: 'Você vai levar a minha mochila até o portão porque você é preta e preto trabalha para branco. Quando essa notícia chegou até mim, eu fiquei muito preocupada porque não sabia como trabalhar esse tipo de situação em sala de aula”, relatou a autora do livro. Flávia Gilene Ribeiro pontuou que à época era estagiária e a partir deste momento interessou-se pelos estudos de questões raciais.

O estudo foi aprofundado em 2013 com o mestrado em Cuiabá com a participação no Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (NEPRE). “Na escola em que eu fui trabalhar demorou a entender o processo que havia na escola e meu trabalho transformou-se em minha pesquisa. Uma instituição, seja ela qual for, ela reflete o racismo institucionalizado de fora. Então a sociedade brasileira é uma sociedade racista, por mais que as pessoas tentem negar isso. Isso vai para dentro da escola como práticas e saberes que vão passando”, explicou a professora.

Livro aponta a falta de expectativas

A vivência na escola que resultou no livro apontou, segundo a autora, a falta de expectativas positivas. “Dentro da escola o que ficou evidenciado foi que os professores não tinham expectativas relacionadas aos estudantes e estes professores eram pretos e pardos. O racismo institucional faz com que a pessoa não se reconheça enquanto negro”, comentou Flávia Gilene Ribeiro, acrescentando que muitas das crianças eram consideradas como desobedientes ou com baixa capacidade intelectual.

A professora relatou que a escola colecionou resultados ruins nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que resultam no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). “A escola esteve por dois exames consecutivos da Saeb com zero no Ideb. Isso é preocupante porque há um descompromisso com o resultado apresentado. Isso fica naturalizado e é comum uma escola não ter bom resultado, ser feia, ter um prédio desgastado ou desbotado”, contou sobre a escola retratada no livro. Flávia Gilene Ribeiro defendeu a pesquisa em 2015, deixou a escola em 2016 e em janeiro de 2022 a unidade foi extinta. (*reproduzido do site da UFMT)

Interessados em adquirir a obra podem entrar em contato diretamente com a autora, através do celular (whatsapp) 65 08121 1500.

flavia

Flávia Gilene Ribeiro discorre sobre os contornos do racismo institucional na educação escolar

 


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