FESTIVAL DE BRASÍLIA

História se passa em lugarejo litorâneo



Filme foi selecionado para eventos nos EUA e na Europa, onde conquistou elogios da crítica

A velocidade da vida é muito diferente num pequeno vilarejo próximo a Porto de Pedra, no litoral de Alagoas. As coisas da natureza, como o mar e o vento são aquelas que mais interferem no cotidiano dos pacatos moradores, entre eles, o casal que protagoniza a história de “Ventos de Agosto”, filme pernambucano de Gabriel Mascaro, o penúltimo longa a ser exibido, que está na mostra competitiva.

Novamente, optei por assistir ao filme fora da muvuca que é o Cine Brasília sempre muito cheio. Fui para a reprise da sessão nesta segundona (29/09) vespertina, no Museu Nacional, local tranqüilo e quase tão parado, quanto a aldeola onde “desacontece” a pouca coisarada desta ficção.

Chique no “úrtimo”, “Ventos de Agosto” foi muito bem recebido pela crítica estrangeira nos locais onde foi mostrado na Europa e nos Estados Unidos. Pelo que andei escutando entre os colegas críticos, que aqui estão para destrinchar os filmes em exibição, a recepção tupiniquim também não deixará a desejar.

O cineasta Gabriel Mascaro travestido como personagem pesquisador em seu filme "Ventos de Agosto"

Um probleminha costumeiro nos filmes que chegam de Pernambuco é o áudio. Nem sempre dá pra entender direito o que os personagens dizem, pois falam meio baixo e com sotaque. E o som do Museu Nacional é pior do que o do Cine Brasília, mas, não to nem aí. O que é difícil de se ouvir, logo logo, é compensado pela força da técnica cinematográfica, algo que já se torna marca registrada nos filmes desse estado.

Fotografia que sabe explorar a rica paisagem litorânea com sua natureza exuberante, atores bem dirigidos e dando conta do recado, roteiro bem definido, direção segura e qualidade na trilha sonora, entre outros aspectos. Coisa demais para um filme onde a vida e os personagens se arrastam numa pasmaceira braba. Trepa no coqueiro e tira côco... depois trepa em cima do côco mesmo.

E são os pequenos detalhes em torno do que é existir nessa corruptela que formam combustível para tocar o filme. As lides corriqueiras extraindo o sustento da terra ou do mar, o transporte desses produtos primários, as relações entre os habitantes e eis que uma novidade chega à cidade.

Um personagem forasteiro, interpretado pelo próprio cineasta, Gabriel Mascaro, chega ao lugarejo com a função de medir o vento. Com sua estranha aparelhagem põe-se a trabalhar e é observado pelos habitantes locais como se fosse um animal no zoológico, mas depois se entrosa. Isso parece, ainda muito pouco pra agitar o lugarzinho moroso. E, sequer, um crânio que é encontrado no fundo do mar e logo é identificado, terá serventia pra romper a calmaria singular.

Bom, em qualquer lugar do mundo, se existe algo que costuma ser difícil de lidar com ela, esse algo é a morte. Pelo menos na grande maioria da sociedade. Aparece, então, um corpo mão identificado e a polícia de Porto de Pedras é chamada a recolher o cadáver, mas... cadê que ela comparece. Algumas providências precisam ser tomadas e o nosso personagem principal é a quem vai caber tais medidas.

“Ventos de Agosto” é basicamente isso. Isso e, porém, muito mais, pela riqueza de detalhes e miudezas peculiares que vai destrinchando. E, fato curioso, finalmente, tivemos um longa onde se pode dizer que um papel feminino aconteceu de fato, e deu margem para uma boa atriz mostrar serviço. Quer dizer, a personagem é até tímida, mas caiu como uma luva para Dandara de Morais, jovem, bela e talentosa negra.

Se me perguntarem quem leva o prêmio de melhor atriz (antes de eu assistir ao último filme, nesta 2ª), eu diria que é barbada: Dandara na cabeça.

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